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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

E o Salário dos Professores é ÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔ

Gentem Gentem...vocês podem até nem iaginar...acreditar então ô nem pensar....rs...mas o salário do nosso Grandiosíssimo Governador irá subir, dos atuais R$ 14850,00 para nada menos de R$ 18700,00 mil.
 
É isso mesmo meu povo....Enquanto a esmagadoura população sobrevive com seu mísero salário mínimo que pela Legislação deve garantir moradia, saúde, transporte, lazer e outras cossitas...ele sobreviverá com um reajuste de 26,1%, começando a vigorar em janeiro de 2011 quando inicia-se seu mandato!!!
 
Olha gente...para ter tal reajuste não ouve manifestações, não ouve greves e nem tumulto, como ocorre com a maioria das categorias profissionais; que categoria mais sortuda, organizada e disciplinada heim!!!!!! .
 
Só para citar, lembremos de nossos Professores, para tal categoria, estes que carregam o doce encanto de educar o futuro da nação poderá ser alcançado ao longo de sua carreira de 20 anos para mulher e 25 anos para homem nada mais nada menos do que o teto de até 6270,78, isso é claro, se os amádos professores fizerem bem a lição de casa e tirarem a nota máxima recomendada pelo Governador e  claro estiverem no teto de 20% dos professores por ano..rs..Parece Piada????KKKKKKKKK...mas não é.....rs...
 
Nossa gente esse país nosso é Lindo demais, aliás, é maravilhoso, entusiastico, motivador.
 
Mas atrás do salário do Governador, tem-se ainda o efeito cascata, atingindo o vice Guilherme Afif Domingos (DEM), que receberá R$ 17789 (ante os atuais R$ 14.110), e secretários do Estado - que passam de R$ 11885 para R$ 14.980.

Aprovada por unanimidade, a emenda foi possível após uma costura de acordos entre as bancadas. O último reajuste foi aprovado em 2006.

Querem saber o efeito cascata dos professores? rs...então vamos lá...enquanto o salário dos professores pode chegar a R$ 6270,78, o de diretor podera alcançar a até R$ 7147,05, sendo 3 vezes mais do que a remuneração inicial de carreira, que hoje é de R$ 2.321,09.

Há, estava esquecendo de mencionar, para tal salário a jornada de trabalho são de 40 horas, com 40 alunos por sala de aula!!!! Que Maravilha!!!!!! 

O Programa de Valorização do Professor prevê vantagens dos atuais auxílio "coxinha" para auxílio transporte.

Veja como funcionará o aumento:

O projeto de lei visa a criação de 5 faixas de salário em cada uma das carreiras de professor,diretor e supervisor, o Sistema de Promoção no Quadro do Magistério do ensino oficial do Estado de São Paulo e em cada faixa serão mantidas as evoluções previstas na lei atual, baseadas em tempo de serviço e cursos que aprimoram a formação do docentes, os reajustes serão aplicados assim:
- A promoção da faixa 1 para a faixa 2, aumento de 25% sobre a remuneração inicial
- Da faixa 2 para a 3, reajuste equivalente a 50% da remuneração inicial
- Da faixa 3 para 4, aumento equivalente a 75% da remuneração inicial
- Da faixa 4 para 5, prevê um reajuste equivalente a 100% da remuneração inicial
O aumento, promoção de uma faixa para outra só pode acontecer de três em três anos.

Não é por menos que quando as crianças e adolescentes são incentivados a continuar estudando, eles riem de seus professores e pais....É meu povo essas crianças sabem do que riem!!!

Um abraço e ate a próxima...


Alessandra Lígia!!!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

vídeos sobre o surgimento dos regimes totalitários

vídeos sobre o surgimento dos regimes totalitários

Assista aos vídeos sobre o surgimento dos regimes totalitários...Penso que é de importância fundamental conhecermos tais conceitos, já que nem sempre é possível entendê-los nos bancos escolares, seja porque muitos de nossos jovens em idade escolar estão com preocupações em outras coisas, seja porque nem sempre o professor em sala de aula tem tempo hábil para detalhar tais conceitos.
Espero que seja útil e aproveitável...
Abçs


Alessandra Lígia

sábado, 6 de novembro de 2010

Formas de Governo Parte 1

Tentei falar sobre Formas de Governo e Regimes Políticos, porém houve um erro e não consegui, portanto a seguir tentarei abordar um pouco sobre o assunto!
Democracia e Autocracia
Existem duas dimensões fundamentais para a classificação e análise dos diferentes regimes políticos em geral, e dos existentes no mundo atual, em particular:
 Tipos de autocracias
Reunimos sob a denominação de autocracia todos os regimes políticos fechados à influência popular na escolha dos governantes. Etimologicamente, esse termo indica que o governo é derivado de si mesmo, isto é, dos governantes (em grego auto = referido a si próprio; e cratos = poder) e não dos governados, como no caso da democracia (em grego, demos = povo; e cratos = poder).

IMPORTANTE!
Regimes totalitários são aqueles em que o grupo governante não só detém o monopólio do acesso ao exercício do governo, como também pretende exercer o controle total sobre a sociedade.
Diferentemente dos regimes autoritários, que podem ser mais ou menos liberais, de acordo com o grau de liberdade civil que concedem aos governados, os regimes totalitários são essencialmente antiliberais ao não reconhecer qualquer esfera da
social livre da intervenção do Estado. (COELHO, 2010, p.89).

Deve-se ressaltar que os ideais eugênicos serviram perfeitamente aos regimes totalitários de meados do século XX, como o Nazismo na Alemanha de Hitler. Sob o pretexto de preservar a "pureza" da raça ariana, considerada a raça perfeita, Hitler perseguiu judeus, eslavos, homossexuais, ciganos e deficientes físicos e mentais, praticando a chamada eugenia negativa, esterilizando os grupos indesejados, isolando-os e os eliminado para evitar que se misturassem ao povo alemão. Assim, a ciência ajudou a legitimar o regime nazista e, consequentemente, justificou o massacre de milhões de pessoas.

Assista ao vídeo a seguir: ele mostra um discurso de Hitler para 200 mil crianças da Juventude Hitlerista, em 1934, e observe os argumentos inflamados sempre ligados à orientação da ação do Estado, e com a qual pretende conquistar o apoio das massas.

Nas próximas postagens falaremos sobre o regime totalitarismo, inserindo dois vídeos interessantes sobre o assunto. Bem autodidata...
Abçs a todos
Alessandra Lígia!

A Política, o Preconceito e o Odio...

POLÍTICA E ÓDIO!!!

Termina-se mais uma Eleição, e como se sabe, assim como em um jogo só há um ganhador, com a diferença que no jogo da política em nosso país, na Democracia o Povo é quem elege quem irá vencer. E nada mais do que justo.
Governos entram, Governos saem...e sabe-se que o Brasil engatinha quando se fala em Democracia.
No entanto, reportagens que li e e-mails que recebi fiquei realmente chocada com a Intolerência do Povo Brasileiro, Racista e Preconceituoso.
Recebi um e-mail em que uma pessoal se mostrava totalmente revoltada com o Resultado das Eleições e dizendo que iria ter o prazer de Perseguir, Pesquisar e Enviar a todos os erros cometidos pela futura governante do nosso País.
Ao ler Manchetes em jornais e Internet notaou-se uma série de manifestações preconceituosas. O motivo: "culpavam" os nordestinos pela vitória de Dilma. As reações antirracistas foram ainda mais numerosas. Ignorantemente e Preconceituosamente usam termos pejorativos dizendo que ganhou em determinado Estado por os eleitores de determinada região ser mais “ignorantes e manipuláveis” que os habitantes de outras regiões do País.
Uma das manifestantes mais repudiantes e visitadas no Twitter e no Facebook foi a estudante de direito paulista Mayara Petruso.

Agora fico a pensar, o que se passa na cabeça de uma uma jovem, linda, estudante de direito ter reações, pensamentos, expressões como teve, apesar de se desculpar depois, é inacreditável termos em uma Democracia pessoas jovens Xenófobas...
Mas temos que continuar a nos perguntar: "o que leva um jovem a pensar dessa ou daquela maneira?" A agir assim e "não assim"...difícil é de se responder a tais questionamentos, mas o que se sabe é que um país só cresce quando seu povo é Educado, quando valoriza-se a Educação e isso é o que nosso País, infelismente faz de menos....
O procurador da República Alessander Sales afirmou que o Ministério Público pode acionar a Justiça para que essas manifestações sejam retiradas da Internet.
No entanto, a despeito das ofensas trocadas nas redes sociais, o Candidato Vencedor não teve maioria dos Votos apenas em uma região do país, mas, conseguiu a preferência também dos habitantes do Norte e do Sudeste.
Segundo estatísticas, mesmo que, se fossem subtraídos os votos do Norte e do Nordeste, a ganhadora continuaria com vantagem sobre seu adversário, o tucano José Serra, com 275 mil votos a mais do que ele.  
No país inteiro, Dilma alcançou mais de 55 milhões de votos, enquanto Serra teve quase 44 milhões. No Norte e no Nordeste, a vantagem da petista foi elástica: 18 milhões de votos, contra 7 milhões do tucano, no Nordeste, e 4 milhões contra 2,9 milhões, no Norte.
Portanto, vencer no Nordeste inteiro não foi mérito exclusivo de Dilma. Segundo a agência de notícias Política Real, desde a redemocratização, em 1989, todo presidente eleito no Brasil venceu na região. (colaborou Ítalo Coriolano).

Postarei alguns vídeos nesse Blog com intuíto de que nosso povo, nossos jovens, crianças e até idosos entendam mais o jogo do poder, entendam o que é , foi alguns Regimes Políticos, alguns que levaram a morte de milhões de pessoas devido a Intolerância, o Ódio, o Racismo, coisa que temos vergonha quando lembramos, no entanto, que foi pouco afinal nós Seres chamados Humanos nos esquecemos e cometemos muitas vezes os mesmos erros!
Abçs
Alessandra Lígia

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A Intolerância dos alunos na Sala de Aula...

Olá pessoal...depois de algum tempo, retorno ao meu espaço onde posso falar, desabafar...
Estou tendo a oportunidade este ano de 2010 de lecionar no 2.º e 3.º ano do Ensino Médio.
Escola esta situado na cidade de Franca - interior de SP, como sempre, salas cheias, em especial no 2.º ano, onde, têm-se em média 38 alunos por sala.

Bom essa sala tem um diferencial das outras salas que já Lecionei, nesta temos alunos, mais ou menos uns 5 que vieram de Escolas Particular, gente, pasmem-se...alguns desses alunos tratam com indiferença, arrogância e  menosprezo colegas de sala e professores.


Fico a me perguntar, o que leva um adolescente a agir desta ou de outra maneira. Será sua formação que tem dentro de casa? Será sua personalidade trazida por genêtica? Bom difícil de responder, em especial quando não se é especialista no assunto, como é o meu caso. Portanto, resumidamente, coisa do "Ser Humano"!

Mas nessa mesma sala temos pontos altos, interessantíssimos por sinal -  eu também estou tendo o privilégio de Lecionar para um aluno com Deficiência Visual Total, e uma outra com Deficiência Visual Parcial, tem sido uma experiência muito gratificante, ver, entender, como "nós" Seres Humanos somos dotados de tamanha capacidade: de aprender, de entender e repassar o que aprendemos, isso é claro, quando queremos, afinal, somos capazes da mesma forma de sentir repulsa, indiferença, ingratidão. 

Mas a questão aqui é outra, afinal, nós, doscente e discente, entramos e ficamos na sala de aula (praticamente com quatro recursos: a) voz; b) boa vontade; c) giz e c) lousa e alunos com : a) boa vontade b) atenção em recursos precários em meio a tanta tecnologiada e claro...os materiais fornecidos pelo Estado (caderno do aluno com conteúdos fragmentados), além de caneta, borracha e caderno com linhas para fazer anotações.)

O que quero dizer é que estou Lecionando a tais alunos (38) dentre eles dois "especiais" simplesmente com o "gogo"...isso mesmo gente...e o aluno...esse Deficiente Visual Total, para minha sorte senta lá na frente, onde eu leio e releio para ele e os demais alunos, o enunciado e sempre pergunto: "estão entendedo?" "conseguiram visualizar?" e sempre para a minha surpresa ouço em especial do aluno que senta lá na frente: sim professora estou entendendo. Torno a perguntá-los, quantos segmentos de reta podemos traçar ligando-os 2 a 2, se tivermos 6 pontos, nunca alinhados 3 a 3 em linhas retas? O que em instante tenho como resposta do aluno que senta la na frente : poderemos traçar 15 segmentos de retas professora"

Enfim minha gente, aqui nesse espaço não é de minha pretensão descrever tudo o que temos na escola Pública, mas como podem ver tem-se coisas boas, agradáveis e coisas nem tão agradáveis, alunos que mesmo com dificuldades estão ali com o intuito e vontade de aprender e alunos que como dito por eles mesmos "se acham", que esnobam, intolerantes.

Mas o que importata no fim é saber que mesmo não tendo a atenção, o respeito e o carinho da maioria, conseguiremos lançar nossa semente e fazer mesmo que "umazinha" cresça, floresça e dê frutos. 

Alessandra Lígia R. A. Tedesco

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Digamos não a todo e qualquer tipo de agressão às nossas crianças.

Carta aberta aos senhores congressistas do senado e da câmara dos deputados .

Senhores Deputados e Senadores.

Digamos não a todo e qualquer tipo de agressão às nossas crianças.

Digamos não a toda e qualquer interferência do estado em nossas famílias, em nossas casas e em nossas maneiras de ser e agir.

Se querem os congressistas acabar com a agressão a nossas crianças, uma coisa é certa, não será com leis que o farão.

Se pudéssemos acreditar que a lei pode melhorar reação e interferir nos sentimentos humanos, com certeza já teríamos uma lei proibindo a irritação, a dor, o stress.

Tenho a receita para colocar fim ao mal da agressividade.

Escola para Pais. Sim, é isto mesmo, vamos criar cursos para orientar todos os futuros pais e mães, oferecer cursos para os avôs e avós.

Ninguém sem orientação poderá cuidar bem das crianças .

Vivemos em um novo mundo, onde tudo muda a todo instante, por essa razão já não temos mais condição de agir como nossos pais agiram. Assim se faz necessário a ininterrupta troca de informações e orientações.

Só a orientação, o estudo e a convivência em grupo poderão, de fato, mudar o comportamento humano.

Querem os congressistas acabar com o alcoolismo e as drogas?

Escola é a solução. Vamos propor cursos que orientem sobre saúde e dependência química, dentro de nossas escolas.

Querem os congressistas melhorar a saúde pública?

Escola é a solução. Ofereçam cursos sobre as doenças, epidemias, higiene e alimentação, para todos. Assim os postos de atendimento médico ficarão vazios.

Querem os congressistas acabar com os desmatamentos e poluição do meio ambiente?

Escola é a solução.

Ofereçam cursos técnicos e superiores de agronomia e meio ambiente para todos.

Querem os congressistas diminuir a criminalidade em nosso país?

A solução é, escola de qualidade para todos os cidadãos.

Nossos jovens querem estudar, mas ainda enfrentam uma disputa de até 50 candidatos competindo por uma vaga, para poderem fazer um curso superior. Sempre os mais pobres ficam de fora.

Trabalhar para que todos tenham acesso a todos os níveis do conhecimento, é a verdadeira e maior missão do Estado.

Querem os congressistas oferecer boas escolas?

Simples. Multipliquem os salários dos professores. Permitam que eles e elas tenham uma vida digna. Que todos os nossos professores possam ter acesso à cultura, ao lazer e à saúde, sem que precisem vender produtos Avon ou Lingerie, para complementar suas rendas.

Querem os nossos congressistas um povo feliz?

Fácil. Façam felizes os nossos professores, respeitando-os, oferecendo bons ambientes de trabalho, onde possam ter salas para estudos e leituras, plano de carreira e carga horária de trabalho compatível com a mais importante de todas as profissões. O professor é quem orienta para a conquista dos conhecimentos que de fato melhoram a vida dos homens, é quem educa para a convivência harmoniosa em grupo e faz dos homens, seres cada dia mais humanos.

Que nenhum professor precise dar mais que 30 horas aulas semanais para viver com dignidade.

Que nenhum professor precise “fazer bicos” para manter com dignidade sua familia.

Que nenhum professor deixe de lecionar por falta de pagamentos dignos.

Que nenhum professor se esgote por excesso de trabalho.

Que nenhum professor seja tratado como frieza e desrespeito.

Está ai a solução que queremos, precisamos e temos condições de ter.

Basta que tenhamos homens sensatos, honestos , de boa vontade E QUE DE FATO TENHAM EM SEUS PLANOS A EDUCAÇÃO COMO PRIORIDADE MAIOR .



CONTO COM SUA AJUDA NA TRANSMISSÃO DESSE TEXTO QUE, BEM DIVULGADO PODE TRAZER FRUTOS PARA A NOSSA SOCIEDADE NO FUTURO.


MAURO DEODATO TAVEIRA – 58 anos

Pedagogo, Professor e Engenheiro

deodato@deodato.com.br

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A Violência na escola e a sociedade!!!


A cada dia que passa vive-se uma sociedade mais agressiva, mais depressiva, mais dependente, mais rancorosa e sem base para ajudar, entender, ensinar o seu semelhante.
Hoje fiquei horrorisada ao escutar no noticiário televisívo, por um acaso, a notícia de que três professoras foram denunciadas por funcionários da pré escola por maus tratos a crianças menores de 1 ano de idade. Isso mesmo gente, CRIANÇAS, MENORES DE 1 ANO DE IDADE, AGREDIDAS POR PROFESSORAS, rs, é um absurdo!!!
Tais ações talvez seja reflexo de uma sociedade desrespeitada a todo instante a começar por nossos políticos, que em lugar algum de nosso país cumpre qualquer que seja suas políticas tão prometidas em épocas de eleições.
É claro que categoria alguma de profissional deve ser desrespeitada em seu trabalho, muito menos um professor, no entanto é dever desse profissional entender a realidade dessas crianças, em muitas das vezes desprovidadas de afeto, carinho e atenção dos pais e garantir que essas mesmas crianças mesmo nas chamadas creches iniciem o processo de construção do conhecimento.
Agora, que base tais crianças terão se são violentadas físicamente, verbalmente e moralmente dentro da própria escola, e pior ainda, por suas chamadas professoras???
Em uma sociedade violenta, promíscua e sem limites, a escola deve se contrapor à cultura de agressões. Penso que devia-se exercer e ensinar desde à tenra idade o que é cidadania e o que é democracia, afinal, os colegiados de escola, as APMs, só existem nas escolas, "pró forma", em especial nas públicas, afinal, raramente, vemos diretores de escola mostrando relatórios das verbas recebidas e gastas, ao contrário o que vemos muitas vezes são alguns coordenadores de escolas, pedindo dinheiro a alunos e pais de alunos, é claro que, parte de tais verbas pedidas são "justificadas", rs, afinal, o Governo do Estado não manda, ou se manda é desviada, verba nem para fotocópias de trabalhos que são exigidos dos professores para com os alunos.
Questões ligadas a violência escolar deveriam ser melhor discutidos em conselhos de classe, elaborandos projetos educativos, mas é claro, em salas de aula com menor número de aluno, afinal, é IMPOSSÍVEL ENSINAR BEM, em um espaço 4x6 com 46 pessoas, mas essa é nossa ralidade Brasileira!!!

Abaixo o ícone de um vídeo chocante!!!

http://www.youtube.com/watch?v=Vb6L9wIUNSQ

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Os prejuízos da exclusão


Em entrevista à revista Educação, o psicanalista Contardo Calligaris defende a inclusão de portadores de deficiência em salas de aula tradicionais. Vanessa Sayuri Nakasato
Para o psicanalista Contardo Calligaris, 57, inclusão social nada tem a ver com caridade. Pelo contrário, ele acredita que o mundo desperdiça talentos e se priva do convívio com pessoas que tem muito a oferecer, quando segrega os portadores de deficiências físicas e mentais dos demais cidadãos. No caso das escolas, Calligaris duvida da eficiência das "classes especiais" e prega a integração dos alunos. Convivendo com os portadores de deficiência, as crianças aprenderiam a lidar melhor com a diferença e se tornariam mais tolerantes. Para o excepcional, por outro lado, o fato de se sentir fazendo parte de um ambiente social, e não ser mais definido apenas por sua deficiência, permitiria que sua vida desabroche, de modo produtivo.

Eder Chiodetto
Calligaris defende a inclusão de portadores de deficiência em salas tradicionaisAutor de livros como Hello Brasil! (Escuta, 160 págs., R$ 36) e Crônicas do Individualismo Cotidiano (Ática, 264 págs., R$ 27), Terra de Ninguém (Publi Folha, 423 págs. R$ 49) e colunista do jornal Folha de S.Paulo, Contardo Calligaris fala à Educação sobre a relação dos portadores de deficiências físicas e mentais com os pais, a escola e a sociedade. E conclui que excluir o outro é privar-se de todos os benefícios que a sua companhia pode proporcionar, começando pelo aprendizado. Revista Educação - Por que a inclusão de deficientes é relevante para uma escola e para a sociedade?Contardo Calligaris - Independentemente do fato de que seria excelente se os professores tivessem a capacidade de ver no excepcional não alguém a quem falta alguma coisa, mas alguém que possui potencialidades específicas. Seria um extraordinário aprendizado pedagógico. Isso serviria, também, para lidar com aquela criança que é desatenta, que não estuda, ou que parece que nunca entende coisa alguma. Como seria essa mudança, particularmente, para as crianças? Elas vão aprender a lidar melhor com a diferença. Para o excepcional, o fato de se sentir fazendo parte de um ambiente social e não ser mais definido pela sua deficiência vai, provavelmente, permitir que sua vida deslanche. Detalhe: em geral as crianças são especialmente preconceituosas. Pegam no pé do gorducho, da magrela, do baixinho. Brasil é o império dos diminutivos agressivos e dos apelidos ferozes. Na pré-adolescência isso é muito comum e ser aceito é crucial. Um grupo se constitui pela exclusão. Isso é regra geral, não tem milagre. Se você quer ser um dos membros do grupo dos bacanas, o primeiro passo é chamar os que não fazem parte desse grupo de babaca. Esse tipo de atitude deveria ser reprimido no quadro escolar. Eu ainda acredito nas punições. Que tipo de punição?Castigo, suspensão, reunião com os pais. Para mim, simplesmente chamar alguém de gordinho é um problema seríssimo. Com isso você fere a dignidade do outro e não reconhece a sua igualdade, direitos e princípios. Por causa de uma diferença que é irrelevante do ponto de vista da convivência do cidadão. Isso é uma falha da educação?Sim. Acredito que poderíamos ser mais repreensivos em relação a esse tipo de discriminação interna. É um erro pensarmos que uma palavra não pode produzir muito efeito, só porque é uma piada, uma brincadeirinha? Pode, ao contrário, fazer grandes estragos na vida de alguém. E no caso do portador de deficiência?Ao contrário do que as pessoas podem pensar, ele não é burro. Sabe muito bem quem é aquela pessoa que o trata normalmente porque reconhece nele um sujeito, e aquela que só está falando com ele porque acha que está conseguindo indulgência para o purgatório futuro. Qual a melhor classe para ele? A "normal" ou a especial?Para muitas pessoas em todo o mundo, a educação de portadores de deficiência deve ser desenvolvida em classes "normais". Exceto em casos que demandam uma atenção muito específica e que impeça a relação da criança com o curso de estudo normal. Mas não concordo que deva haver separação. O benefício da inclusão é muito grande para todo mundo. Há um custo de esforços, de preparação, tanto por parte da escola como da criança excepcional.O que levou a inclusão de portadores de deficiências físicas a ser uma questão mais discutida?Gostaria de pensar que a consciência cívica das pessoas melhorou. E que existe uma evolução positiva, não só dentro das escolas, mas em todo o país. Hoje já existem cinemas com rampas de acesso para cadeiras de rodas e lugares reservados para os portadores de deficiências físicas. Em alguns locais começam a existir calçadas que descem para que seja possível circular com cadeiras de rodas. Embora isso ocorra de maneira limitada, bem longe de ser o ideal, já é um início. É o que podemos chamar de progresso social. Eu não sei se essa evolução é forte o bastante, mas certamente o Brasil é um país em que a visibilidade pública das pessoas portadoras de deficiências continua sendo muito pequena. Diferente do que se verifica em outros países, essas pessoas ficam fechadas em casa.De quem é a culpa por essa situação?Primeiramente destaca-se a falta de meios concretos de inclusão, como os que se referem à praticidade de circulação. Em segundo lugar, no país ainda se percebe o estigma de vergonha social, que é muito marcante. Ou seja, se você tem um filho com algum tipo de deficiência mental ou física, passear com ele pelas ruas é um passo psíquico muito especial. É provável que as pessoas vão olhar com aquela cara de "ah... coitado, ele é deficiente". Então é preciso que você reconheça esse filho não o definindo por sua deficiência, mas sim pelas potencialidades concretas de sua vida. A falta de preparo dos pais os leva a deixar seus filhos em casa? Preparar os pais não é só um trabalho societário. Precisa-se de profissionais capacitados para isso. A verdade é que cuidar de um filho portador de necessidades especiais é muito difícil, e poucos pais conseguem encarar um evento desse tipo.Então a história de que o amor nos faz capazes de suportar tudo não é verdadeira? O amor nos permite suportar muito, e às vezes até demais. Mas o amor não é uma resposta mágica nessa história. É possível amar perdidamente um filho portador de deficiência, a ponto de não deixar que ele seja nada mais do que um deficiente. Dependendo do modo como se manifesta, o amor dos pais pode ser extremamente perigoso para uma criança que apresente uma deficiência física ou mental. Porque a deficiência física e, principalmente, a mental, coloca a criança num estado de eterna dependência. Nesse sentido, de alguma forma, ela pode satisfazer o amor, sobretudo o materno, porque essa criança será um bebê para sempre. Mas não existe o medo de um dia não poder continuar cuidando do filho?Sem dúvida. Por isso mesmo, a grande questão é conseguir amar o não filho por sua deficiência, mas pelo o que ele é de fato. A mãe dificilmente consegue redefinir o filho. A resposta mais fácil, mais espontânea e imediata é que ela coloque o filho como a razão de sua vida. Ela vai se sentir o suplemento de tudo o que a criança não pode fazer. Vai se tornar ela mesma o braço mecânico de seu filho paralítico, os olhos de seu menino cego e, assim, manter-se sempre necessária.E como se coloca essa questão do ponto de vista social?A própria história da inclusão é um pouco essa. A inclusão caritativa não interessa a ninguém. No quadro escolar, não interessa às crianças que conviveriam com os portadores de deficiência, nem a eles próprios. Eu não gosto da palavra "deficiente", que ainda é a expressão mais usada para designar essas pessoas. Não gosto porque, justamente, é uma palavra que, em latim, implica na idéia de uma coisa que falta e, assim, define as crianças pelo que lhes falta. Eu prefiro o termo "excepcional", porque é um adjetivo que marca uma diferença, uma exceção, um ser diferente em relação aos outros. Por si só, a palavra "deficiente" já envolve uma postura excludente. Ela define a pessoa pelo que ela não pode fazer, pelo que ela não alcança. Isto é, se a idéia da dita inclusão escolar ou social for caritativa, não será interessante. Por exemplo, "ela vai ser acolhida na classe, mas não poderá fazer isso ou aquilo". Só haverá interesse quando esse cidadão for incluído positivamente. Não como "o deficiente da terceira fila", mas como o Paulo, o Pedro.O senhor diz que tanto os pais, como a sociedade precisa redefinir. O que seria essa redefinição?No que concerne aos pais, isso se obtém com a ajuda de um profissional. Acho importante, porque quando temos um filho que necessita de cuidados especiais, durante um certo tempo, no começo, isso nos auxilia a definir a situação, a mudar o olhar. O primeiro olhar é sempre o olhar de "como é que eu vou ser o suplemento do que está faltando a essa criança que eu coloquei no mundo?". E no que concerne à sociedade, é preciso um grande trabalho, que os psicólogos escolares talvez não façam, mas poderiam fazer. O trabalho com os professores deve ver primeiro. Porque não é verdade que, pelo simples fato de você ser um excelente professor, esteja preparando para lidar com isso de uma maneira inteligente, capaz de incluir sujeitos diferentes. Como melhorar a educação para excepcionais?O ideal seria a inclusão efetiva, mas precisaríamos de classes que possuíssem os equipamentos necessários. Por exemplo, computadores com lupa e livros didáticos diferentes. O mundo desperdiça muitas potencialidades, até gênios, por puro preconceito e falta de investimento. O Brasil é um país que, como o senhor já disse, oferece pouca infra-estrutura para seus portadores de deficiência. No que isso implica?A falta de estrutura física é a manifestação simbólica, porém concreta de falta de cuidado para comigo. Andar pela cidade e não conseguir descer uma calçada sem ajuda remete à lembrança de que a comunidade onde vivo não se importa com o meu bem-estar. Sublinha o fato de que eu não sou uma prioridade para a cidade ou o país que eu vivo. E dentro de uma escola isso é ainda pior. A infra-estrutura não é apenas o conjunto daquelas coisas materiais, necessárias para o outro se movimentar. É a manifestação concreta da decisão de incluir. Ela tem, portanto, uma grande importância psíquica. O senhor sempre diz que aquele que exclui está se excluindo.Quando você exclui o outro, qualquer que seja a razão, você também se exclui da companhia do outro, se exclui de aprender mais, de vivenciar. Excluir é perder. Sempre.


http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=10418

segunda-feira, 17 de maio de 2010

P R O C U R A - S E - "Consciência Ambiental"

P R O C U R A - S E -
"Consciência Ambiental" -
...Os "foliões" do fundo do mar estavam rolando de um lado para o outro
numa mórbida coreografia, empurrados silenciosamente pelo balanço do mar, sem dança, ....sem alegria,... sem vida ...e sem poesia.
.

O fundo da folia


O fundo da folia

Dez dias após o carnaval, resolvi mergulhar com dois amigos na área do Farol da Barra/BA para confirmar a notícia de que havia uma quantidade absurda de lixo espalhada pelo fundo do mar naquela área.

O fundo da folia

Mesmo com a água um pouco suja por causa das chuvas do dia anterior, logo identificamos o local. Na verdade o lixo não estava espalhado, mas concentrado em um canal provavelmente em razão do movimento das marés. Uma cena lamentável! Eram pelo menos mil e quinhentas latinhas metálicas e garrafas plásticas.

O fundo da folia

Da superfície o visual parecia com as imagens áreas que vemos dos blocos de carnaval durante a festa momesca. Só que ao invés de estarem pulando, dançando e se beijando ao som frenético e ensurdecedor dos trios elétricos, os foliões do fundo do mar estavam rolando de um lado para o outro numa mórbida coreografia, empurrados silenciosamente pelo balanço do mar, sem dança, sem alegria, sem vida e sem poesia.

O fundo da folia

Assustados, decidimos não retirar o material naquele dia na esperança de tentar sensibilizar algum veículo de comunicação para fazer uma matéria com imagens subaquáticas. A intenção era compartilhar aquela agressão carnavalesca com nossa população e os donos da folia.

O fundo da folia

Fizemos contato com pelo menos três emissoras e todas pediram que enviássemos e-mails com fotos, o que fizemos imediatamente. Aguardamos respostas por dois dias e como não tivemos qualquer retorno, optamos por retirar o lixão de lá para evitar maiores danos.

O fundo da folia

O fundo da folia

A bem da verdade estávamos super desconfortáveis com nossas consciências por termos testemunhado aquela cena e deixado para resolver o problema dias após. Mas tínhamos que tentar a matéria para que a ação não se resumisse somente à coleta do material.

O fundo da folia

O fundo da folia

Tínhamos em mente que a repercussão sensibilizaria os empresários e artistas do carnaval, os órgão públicos, a imprensa, as empresas financiadoras e nossa gente. A tentativa foi boa, mas não rolou…

O fundo da folia

Fomos então, no terceiro dia após o primeiro mergulho, retirar o material. Antes, porém, fiz questão de chamar um amigo que tem uma caixa estanque para filmarmos a ação e guardarmos o documentário visando trabalhos futuros e até mesmo a matéria que queríamos na TV.

O fundo da folia

Sem cilindro de ar e contando apenas com duas pranchas de SUP (Stand Up Paddle) e alguns sacos grandes, éramos quatro mergulhadores ousados retirando do fundo do mar tudo o que podíamos naquela tarde.

O fundo da folia

O fundo da folia

O fundo da folia

Pouco antes de o sol se pôr conseguimos finalmente colocar todo o lixo na calçada.
Muitos curiosos, inclusive turistas, olhavam intrigados a nossa atitude e a todo o instante nos questionavam sobre a origem daquele resíduo.. A resposta estava na ponta da língua: Carnaval!

O fundo da folia

Vou logo informando aos amigos leitores que não sou contra o carnaval, muito pelo contrário, sou fã por diversos motivos, mas acho que a realidade da festa não guarda a menor relação com as belíssimas cenas, as informações rasgadas de elogios e a excessiva euforia amplamente divulgada pela mídia.
Sei que o comprometimento com os patrocinadores e aquela velha guerrinha de vaidades contra os carnavais de outros estados como Pernambuco e Rio de Janeiro, acabam conspirando para isso. Mas vejo aí um modelo cansado, super dimensionado, sem inovações socialmente positivas e remando na direção oposta ao desenvolvimento sustentável da nossa cidade.
Aquele lixo submarino é um pequeno sinal deste retrocesso. Pior, patrocinado solidariamente pelos grandes empresários, artistas e principalmente pelo poder público que tem o dever de melhorar nossa segurança, nossa saúde e educação.

O fundo da folia

O fundo da folia

O fundo da folia

Aproveito o embalo para incluir indignação semelhante sobre os eventos realizados na praia do Porto da Barra durante o verão.
O “Música no Porto” e o “Espicha Verão” não tem trazido nada de bom para nossa cidade, além da oportunidade de vermos ótimos artistas de perto e de graça. De resto, o lixo, o mau cheiro, a degradação ambiental, o xixi pelas ruas, a impressionante quantidade de ambulantes amontoados por todos os espaços públicos e a agressão aos patrimônios históricos, são um grande “pé na bunda” do turista de qualidade.

Espicha Verão. Foto: Manuela Cavadas / Agência A Tarde

Show de Juan e Ravena começou cedo para público que estava na praia. Manuela Cavadas / Agência A Tarde

Show   de  Jussara Silveira foi um dos mais esperados da noite pelo público. Luciano da Matta / Agência A Tarde

É o mesmo que olhar para uma bela maçã com a casca brilhante e aspecto suculento, porém, apodrecida por dentro…
Naquele final de tarde acabamos contemplando um por do sol diferente. O monte de lixo empilhado na calçada do Farol da Barra virou atração. E como Deus é grande, fomos brindados com a presença de valorosos catadores de rua para finalizar a limpeza.

O fundo da folia

Desta ação, além das ótimas imagens documentadas em vídeo, resta rezar para que os donos do carnaval, dos eventos no Porto da Barra e nossos queridos foliões se toquem que algo tem que mudar.

O fundo da folia

O fundo do mar não merece aquele bloco reluzente e, ao contrário do asfalto, o oceano costuma revidar violentamente as agressões sofridas.
Não tem alegria alguma no fundo da folia!

O fundo da folia

Galeria de fotos
Slideshow
Fotos: Francisco Pedro / Projeto Lixo Marinho - Global Garbage Brasil
Fotos do Espicha Verão: Manuela Cavadas e Luciano da Matta / Agência A Tarde

Outros artigos de Bernardo Mussi
Carnaval longe da praia
O lixão precisa de música


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sábado, 15 de maio de 2010

A Distribuição de Renda – a Pobreza e a Fome

Enquanto "nossos políticos Brasileiros" constroem castelos com dinheiro público, com as altas taxas de impostos, nossas crianças, muitos pais de famílias, mulheres são deixadas a sorte, na miséria...ACORDA BRASIL!!!








O castelo do Deputado Edmar Moreira
É impossível separar a distribuição de renda, a pobreza e a fome, pois estas estão intimamente relacionadas, sendo cada uma causa e conseqüência da outra. Por mais de quinhentos anos a renda no Brasil é mal distribuída. E a renda também está ligada com a posse da terra. Desde o início da colonização, com as capitanias hereditárias, extensas faixas de terras estavam concentradas nas mãos de poucos. Dessa mesma forma, tempos depois, nas mãos dos senhores de engenho e séculos depois nas mãos dos barões do café. Nesse tempo, os trabalhadores e escravos, marginais do processo compunham a classe pobre, quase sempre mal alimentada.

Com a abolição da escravidão a situação da renda poderia ter melhorado, mas a imensa massa de negros foi deixada a própria sorte, sem qualquer tipo de assistência. Os negros libertos geraram as favelas e os trabalhadores rurais, sem terra. A situação agravou-se ainda mais durante a ditadura militar em que o lema "Primeiro crescer, depois distribuir" traduz o porquê da atual concentração de renda. E esta concentração de renda gera a concentração de riqueza, pois apenas aquele que possui uma renda alta pode poupar, empreender e assim enriquecer. Com isso o abismo entre ricos e pobres aumenta.

Atualmente, um dos grandes vilões da má distribuição de renda é o alto preço dos alimentos, que afetam muito mais as pessoas de baixa renda. Para uma família com renda mensal de R$ 200, 50% é gasto com alimentação. Essa porcentagem cai para 15% para uma família de renda de R$ 2000. Dois fatores explicam o alto preço do alimento. O primeiro é o modelo fiscal brasileiro, que sobretaxa produtos ao invés de lucros e investimentos. Por isso o pobre paga mais impostos. Além disso a produção brasileira é voltada para engordar o superávit da balança comercial, que serve para pagar juros e mais juros da dívida externa. Para exportar produtos que poderiam ser consumidos internamente aumenta-se o preço, através de vários impostos, enquanto incentivos fiscais para a exportação são concedidos. Com a diminuição do preço, o pobre pode comprar mais alimentos, por conseqüência diminui-se a fome. Muitas entidades fazem campanhas contra a fome, seja no Natal ou na época da seca para alimentar os famintos. Porém o benefício não atinge todos e quando termina a campanha, acaba também o sustento. Por isso é fundamental que o faminto tenha condições de se sustentar, para que a fome seja definitivamente erradicada.

O aumento do salário mínimo também melhora a distribuição de renda, já que o patrão passa a pagar mais a seus empregados. Além disso, no mercado informal, os salários tendem a se ajustar no patamar do novo mínimo. Como a maior parte dos pobres trabalham informalmente, há um aumento generalizado do poder aquisitivo.

Para visualizarmos a importância do salário na vida do brasileiro: 2/3 da população, 111 milhões, dispõe de renda familiar de até 2 salários mínimos e destes 34 milhões com renda inferior a ½ mínimo. Por fim o dado mais agravante: 1% da população concentra fortuna equivalente ao rendimento de 50% mais pobres da população.
A pobreza e a fome são parte do processe cíclico da má distribuição de renda. Hoje no Brasil temos 60 milhões de pobres (outras fontes indicam "apenas" 30 milhões) e outros tantos milhões abaixo da linha de indigência. A definição de pobre é aquele que tem uma renda per capita familiar inferior a linha de pobreza. A linha de pobreza é o custo das necessidades básicas do indivíduo. Os indigentes não conseguem nem satisfazer suas necessidades alimentares – são os famintos. Na população rural, 40% das pessoas são pobres. Isso se deve a extrema concentração de terra, já abordada anteriormente. Para termos uma idéia da enorme discrepância entre latifundiários e pequenos proprietários bastam estes números. Dos 5 milhões de estabelecimentos rurais, a metade possui menos de 10 hectares, numa área de aproximadamente 7,9 milhões de hectares. Já os 37 maiores latifúndios possuem juntos 8,3 milhões de hectares.
Este é o alicerce da má distribuição de renda no Brasil, pois dos latifúndios são improdutivos e servem como bem de capital. Se estes fossem integrados à reforma agrária, haveria uma maior produção de gêneros alimentícios básicos, ao invés da monocultura de exportação. Esses gêneros, além de suprir a necessidade do assentado, integraria a economia local, reduzindo substancialmente a fome e a pobreza. Mas a reforma agrária no Brasil é quase que inexistente, pois as decisões do Congresso são encabeçadas pela "bancada da terra", que é radicalmente contra qualquer mudança na estrutura fundiária brasileira, a não ser em seu próprio benefício.

O flagelo da fome ainda acarreta a uma série de problemas, como a baixa expectativa de vida, a elevada taxa de mortalidade infantil, o nanismo, que é a diminuição da estatura da população de uma região que enfrenta por várias gerações o problema da má alimentação e um sem número de doenças relacionadas à carência de nutrientes. Nesse cenário, epidemias e verminoses se espalham rapidamente.

Outro ponto fundamental é a educação pública: uma educação de baixa qualidade impede que o pobre integre-se ao mercado de trabalho e possa enriquecer ou até mesmo ter uma estabilidade. Já o rico, numa escola particular, mantêm-se em seu padrão de vida, geração por geração. Nesse ciclo vicioso, riqueza gera riqueza e pobreza gera pobreza. No urbano, aquele que não possui o ensino médio e atualmente uma especificação técnica ou experiência, compõe a imensa massa de desempregados. Estes incham as favelas das grandes cidades à procura de trabalho, vivendo precariamente na pobreza, muitos também passando fome.
Entende-se também por educação a informação. No Brasil, a mortalidade infantil é bem maior entre os mais pobres. Os pobres morrem de diarréia porque não conhecem o soro caseiro e que não amamentam mais que três meses (também devido ao estado de desnutrição da mãe) pela falta de informação. A prova maior é a redução da mortalidade infantil após as propagandas sobre o soro caseiro e o acompanhamento médico nas comunidades carentes.

A realidade é que o Brasil tem uma dos piores índices de distribuição de renda no mundo, dezenas de milhões de pobres e outros milhões de famintos. Governos e mais governos passaram e a situação apenas piorou. Melhorar esse quadro não significa capítulos e mais capítulos de soluções demagógicas, mas sim poucas ações efetivas.

Dentre essas ações estão o aumento do salário mínimo, a diminuição do preço dos alimentos, diminuição da carga tributária dos mais pobres, através de uma reforma fiscal, melhora na educação e reforma agrária.

Porém nenhum destes projetos pode ser implementado sem a tal "vontade política", pois os que estão no poder são os mesmos que são beneficiados pela deplorável estrutura social do Brasil. Além disso, reformas que revelariam suas conseqüências positivas apenas 15 ou 20 anos depois de implementadas não são um bom artifício de campanha eleitoral. Desse modo, a distribuição, a pobreza e a fome tendem apenas a se agravarem...

Um Brasil sorridente com dignidade



Um Brasil sorridente
Gilberto Pucca, Coordenador Nacional de Saúde bucal
A saúde bucal, parte inseparável da saúde geral do indivíduo, está relacionada diretamente com as condições sociais das pessoas. Este conceito, que tem na essência a idéia da inclusão social, é o eixo determinante da nova Política Nacional de Saúde Bucal, o Brasil Sorridente, implementada pelo Ministério da Saúde, e que está articulado a outras políticas de saúde e demais políticas públicas, de acordo com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS).
A área de saúde bucal esteve fora das prioridades do Ministério da Saúde na última década. Apresentou um desempenho débil, apesar de envolver cerca de 242 mil profissionais nos setores público e privado em todo o país; apesar da significativa capacidade instalada para tratamentos dentários; e, acima de tudo, apesar dos graves problemas de saúde bucal da população. Levantamento finalizado pelo Ministério mostra que o Brasil tem hoje cerca de 30 milhões de desdentados; que 3 em cada 4 idosos (faixa dos 65 aos 74 anos) são desdentados; e que 13% dos adolescentes nunca foram ao dentista. Os números da pesquisa confirmam ainda a forte relação entre pobreza e falta de cuidados com a boca – os piores números estão nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Recuperar o interesse do governo pela saúde bucal da população é, portanto, buscar a inclusão social. É permitir que o desempregado desdentado não seja discriminado na fila por um emprego. É dar dignidade às pessoas. Por isso, o Brasil Sorridente prevê investimento de R$ 1,5 bilhão até 2006, investimento sem precedente na história do Ministério da Saúde. Ele prevê, além da expansão dos serviços atualmente oferecidos, uma reorientação completa do modelo assistencial. Os recursos servirão basicamente para a prevenção – a distribuição anual, por exemplo, de dois milhões de kits com escova e pasta dental para 500 mil alunos da rede pública de ensino – e para o atendimento especializado, com a construção de 354 centros regionais de tratamento odontológico especializado em todo o país.
Além disso, visando a prevenção, o Ministério está expandindo a fluoretação das águas de abastecimento público para 100% dos municípios que disponham de sistemas de saneamento. Isso significará cerca de 2 mil municípios atendidos. Hoje apenas 40% dos que têm sistema de abastecimento público contam com água fluorada. E a pesquisa finalizada agora mostra que os locais sem flúor registram até 49% mais dentes cariados do que os demais.
Um dos eixos estruturantes dessa política é à busca do acesso universal à assistência odontológica, com a adoção de ações voltadas para todas as faixas etárias. Embora tenhamos o maior número de dentistas do mundo, 29,6 milhões de brasileiros nunca haviam consultado um dentista em 1998, segundo o IBGE. Por isso, já nos primeiros quatro meses do governo foram reajustados em 20% os incentivos financeiros pagos aos municípios para a inclusão da saúde bucal na Estratégia de Saúde da Família.
Assumimos o Ministério com 4.261 equipes de Saúde Bucal implantadas. Fechamos o ano de 2003 com mais de 6 mil equipes. Uma expansão de 40,8 % até agora.
Também estamos instituindo o incentivo financeiro para a criação de 354 Centros de Referência em Saúde Bucal, com a oferta de serviços especializados como endodontia, periodontia, odontopediatria, cirurgia e prótese. Com isso, o Ministério da Saúde rompe com a lógica de que a saúde bucal na área pública deva se restringir à atenção básica.
A prática odontológica hegemônica reservou aos adultos e idosos, nos últimos anos, apenas o acesso à mutilação dental, resultando numa situação de extrema exclusão social. No Brasil, aproximadamente 85% da população adulta e quase 99 % dos idosos usam ou necessitam de algum tipo de prótese dentária. Destes, mais de 36% necessitam de pelo menos uma dentadura. Para assegurar a reabilitação oral, o Governo Lula assume o compromisso de ofertar próteses dentárias aos brasileiros, a exemplo do que já é feito com o fornecimento de óculos, aparelhos auditivos, órteses e próteses, dentre outros. Porém, sabemos que reduzir a nova Política Nacional de Saúde Bucal à entrega de dentaduras é um grave equívoco.
O que propomos é estabelecer um marco histórico na saúde bucal do Brasil.
Gilberto Pucca, Coordenador de Saúde Bucal do Ministério da Saúde
gilberto.pucca@saude.gov.br

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Exemplo de Superação

Muitas vezes reclamamos, choramos quando "parece" estar diante de problema (s)..temos que pensar, analisar afim de entendermos o que é realmente PROBLEMA

terça-feira, 4 de maio de 2010

O Brasil Como Problema*


Por isso mesmo, o Brasil sempre foi, ainda é,
um moinho de gastar gentes. Construímo-nos queimando
milhões de índios. Depois, queimamos milhões de negros.
Atualmente, estamos queimando,
desgastando milhões de mestiços brasileiros,
na produção não do que eles consomem,
mas do que dá lucro às classes empresariais.




Ao longo dos séculos, viemos atribuindo o atraso do Brasil e a penúria dos brasileiros a falsas causas naturais e históricas, umas e outras imutáveis. Entre elas, fala-se dos inconvenientes do clima tropical, ignorando-se suas evidentes vantagens.

Acusa-se, também, a mestiçagem, desconhecendo que somos um povo feito do caldeamento de índios com negros e brancos, e que nos mestiços constituímos o cerne melhor de nosso povo.

Também se fala da religião católica como um defeito, sem olhos para ver a França e a Itália, magnificamente realizadas dentro dessa fé.

Há quem se refira à colonização lusitana, com nostalgia por uma mirífica colonização holandesa. É tolice de gente que, visivelmente, nunca foi ao Suriname.

Existe até quem queira atribuir nosso atraso a uma suposta juvenilidade do povo brasileiro, que ainda estaria na minoridade. Esses idiotas ignoram que somos cento e tantos anos mais velhos que os Estados Unidos.

Dizem, também, que nosso território é pobre - uma balela. Repetem, incansáveis, que nossa sociedade tradicional era muito atrasada - outra balela. Produzimos, no período colonial, muito mais riqueza de exportação que a América do Norte e edificamos cidades majestosas corno o Rio, a Bahia, Recife, Olinda, Ouro Preto, que eles jamais conheceram.

Trata-se, obviamente, do discurso ideológico de nossas elites. Muita gente boa, porém, em sua inocência, o interioriza e repete. De fato, o único fator causal inegável de nosso atraso é o caráter das classes dominantes brasileiras, que se escondem atrás desse discurso. Não há corno negar que a culpa do atraso nos cabe é a nós, os ricos, os brancos, os educados, que impusemos, desde sempre, ao Brasil, a hegemonia de uma elite retrógrada, que só atua em seu próprio beneficio.

O que temos sido, historicamente, é um proletariado externo do mercado internacional. O Brasil jamais existiu para si mesmo, no sentido de produzir o que atenda aos requisitos de sobrevivência e prosperidade de seu povo. Existimos é para servir a reclamos alheios.

Por isso mesmo, o Brasil sempre foi, ainda é, um moinho de gastar gentes. Construímo-nos queimando milhões de índios. Depois, queimamos milhões de negros. Atualmente, estamos queimando, desgastando milhões de mestiços brasileiros, na produção não do que eles consomem, mas do que dá lucro às classes empresariais

Não nos esqueçamos de que o Brasil foi formado e feito para produzir pau-de-tinta para o luxo europeu. Depois, açúcar para adoçar as bocas dos brancos e ouro para enriquecê-los. Após a independência, nos estruturamos para produzir algodão e café. Hoje, produzimos soja e minério de exportação. Para isso é existimos como nação e como governo, sempre infiéis ao povo engajado no trabalho, sofrendo fome crônica, sempre servis às exigências alheias do mercado internacional.

O mercado internacional, que nos viabiliza no plano econômico, é a peia que nos ata ao cativeiro e à pobreza. É necessário que seja assim? Por que outros povos que, no passado, foram mais pobres e menos ilustrados, como é o caso dos Estados Unidos, nos passaram à frente?

Qual é a causa real de nosso atraso e pobreza? Quem implantou esse sistema perverso e pervertido de gastar gente para produzir lucros e riquezas de uns poucos e pobreza de quase todos?

Como uma das principais nações pobres do mundo, estamos desafiados, até internacionalmente, a buscar e encontrar caminhos de superação do subdesenvolvimento autoperpetuante em que fornos todos metidos pela política econômica das potências vitoriosas no pós-guerra. Tanto mais porque não há, em nenhum lugar da Terra, um modelo comprovadamente eficaz de ação contra a crise político-econômica em que estamos afundados.

O mundo subdesenvolvido tem os olhos postos em nós. Espera do Brasil alguma solução para nossos problemas comuns. Todos já suspeitam que, persistindo no papel de proletariados externos dos povos ricos, nos perpetuaremos na pobreza. Todos perguntam: como romper com essa perversão econômica e com a tragédia social que dela decorre para duas terças partes da humanidade?

É impossível nos isolarmos do mercado mundial, que nos viabiliza economicamente. Mas se é impossível o isolamento, é pelo menos suicida a postura dos que querem continuar regidos tão rigidamente pelo mercado internacional, que torna inalcançável uma prosperidade generalizável a todos os brasileiros.

O desafio que enfrentamos é, pois, o de conquistar uma nova forma de intercâmbio internacional, (que não seja tão onerosa para nós. Isto importa em reordenar as forças produtivas para que elas atendam primacialmente às necessidades nacionais de prover nutrição, assistência, moradia, educação a toda a população, e à necessidade, também imperativa, de produzir divisas para atuarmos dentro do mercado mundial, comprando tecnologias.

Queremos, do capitalismo, o que ele deu à América do Norte ou à Austrália, por exemplo, como economias situadas no mercado mas sabendo tirar dele proveitos próprios. Nenhuma outra nação conseguiu tanto quanto eles e, provavelmente, só o Brasil tem condições de repetir a façanha, graças à nossa disponibilidade de recursos naturais, de terras agriculturáveis e de mão-de-obra qualificada

obra qualificada. A tarefa deles foi bem mais simples que a nossa, porque são meros transplantes sensaborões (1.1 Europa, que limparam o seu território dos nativos e reconstituíram a paisagem de onde vieram. No nosso caso, trata-se ele criar um Povo Novo pela fusão de matrizes muito diferenciadas, que dará lugar a tini novo gênero de sociedade.

Nossas potencialidades vêm sendo coactadas, de um lado, pela armadilha em que caímos ao aceitar formas de intercâmbio internacional que nos empobrecem. Isso era inevitável, porque partimos da condição de um proletariado externo, cuja mão-de-obra não existia para si mas para produzir gêneros exportáveis, Nossas classes dominantes só sabiam mesmo fazer isso, porque eram, de fato, representantes locais cio mercado internacional. De outro lado, vem sendo coactadas pelo monopólio da terra e sua conseqüência principal, que foi urbanização caótica, devida ao translado de 100 milhões de brasileiros para a vida famélica das cidades. Essa massa humana, que é a parte substancial de nosso povo, jamais terá acesso aos bens da civilização enquanto nossa economia estiver enquadrada nas diretrizes que as elites nos impõem.

Causas e Culpas

Vivemos, nós brasileiros, uma conjuntura trágica. 0 próprio destino nacional está em causa e é objeto de preocupação da cidadania mais lúcida e responsável. O aspecto mais grave e inquietante da crise que atravessamos é de natureza política. Frente a ela, as diretrizes econômicas, postas em prática por sucessivos governos, se caracterizam por uma incrível teimosia na manutenção de uma institucionalidade fundiária que condena o povo ao desemprego e à fome, pela mais crua insensibilidade social, por um servilismo vexatório diante de interesses alheios e pela mais irresponsável predisposição a alienar as principais peças constitutivas do patrimônio nacional.

Dizem, também, que nosso território é pobre - uma balela.
Repetem, incansáveis, que nossa sociedade tradicional
era muito atrasada - outra balela. Produzimos, no período colonial,
muito mais riqueza de exportação que a América do Norte
e edificamos cidades majestosas corno o Rio, a Bahia,
Recife, Olinda, Ouro Preto, que eles jamais conheceram.






Outra característica é sua animosidade frente ao Estado, visto como a fonte de todos os males. Será assim? Onde, nesse mundo, uma economia nacional floresceu sem um Estado que a conduzisse a metas prescritas? Onde estão esses empreendedores privados cuja sanha de lucrar promoveria o progresso nacional? Crerão esses fanáticos do neoliberalismo que o estado gerencial das multinacionais - que são entre nós o setor predominante das classes empresariais -se comove pelo destino nacional?

O que cumpre fazer em nosso País não é nenhuma modernização reflexa, dessas que atualizam um sistema produtivo apenas para fazê-lo mais eficaz no papel de provedor ele bens para o mercado mundial. É, isto sim, um salto evolutivo à condição de economia autônoma que exista e viva para si mesma, isto é, para seu povo. Para tanto, temos é que nos associar aos outros povos explorados, para denunciar e por um termo à ordem econômica vigente que faz os povos pobres custearem a prosperidade dos povos ricos através de um intercâmbio internacional gritantemente desigual.

Sobre essas bases é que se tem, necessariamente, de formular nosso projeto próprio de integração do Brasil na civilização pós-industrial, sempre atentos aos interesses nacionais, priorizando sempre o desenvolvimento social, ou seja, os interesses populares. A via da modernização reflexa pelo desenvolvimento dependente só nos faria fracassar na civilização emergente, tal como fracassamos ao tios integrarmos, por este mesmo caminho, à civilização industrial.

Só nós brasileiros, podemos definir esse projeto do Brasil que que ser. Não será, obviamente, o Brasil desejado pela minoria próspera que esta contentíssima com o Brasil tal qual é, e que só quer mais do que já tem. Mas o Brasil dos explorados e oprimidos que o modelo econômico vigente já levou a níveis incomprimíveis de miséria e desespero.

Somos Todos Culpados

Nunca faltaram vozes de denúncia desse caráter cruel de nossa sociedade. Inclusive vozes de reconhecimento de que é à nossa elite que ternos de debitar o desempenho medíocre do Brasil na civilização vigente. Cabe, agora, à nossa geração perguntar que culpa temos, enquanto classe dominante, no sacrifício e no sofrimento do povo brasileiro. Somos inocentes? Quem, letrado, não tem culpa neste País dos analfabetos? Quem, rico, está isento de responsabilidades neste País da miséria? Quem, saciado e farto, é inocente neste nosso País da fome? Somos todos culpados.

Nossos maiores, primeiro, nós próprios, depois, urdimos a teia inconsútil que é a rede em que nosso povo cresce constrangido e deformado. A característica mais nítida da sociedade brasileira é a desigualdade social que se expressa no altíssimo grau de irresponsabilidade social das elites e na distância que separa os ricos dos pobres, com imensa barreira de indiferença dos poderosos e de pavor dos oprimidos.

Nada do que interessa vitalmente ao povo preocupa de fato à elite brasileira. A quantidade e a qualidade da alimentação popular não podia ser mais escassa, nem pior. A qualidade de nossas escolas, a que o povo tem acesso, é tão ruim, que elas produzem de fato mais analfabetos que alfabetizados.

Os serviços de saúde de que a população dispõe são tão precários que epidemias e doenças já vencidas no passado voltam a grassar, como ocorre com a tuberculose, a lepra, a malária e inumeráveis outras.

A solução brasileira para a moradia popular, na realidade das coisas, é a favela ou o mocambo. Não conseguimos multiplicar nem mesmo essas precaríssimas casinhas de maribondo dos bancos da habitação e das caixas econômicas.

Nossa elite, bem nutrida, olha e dorme tranqüila. Não é com ela. Desafortunadamente, não é só a elite que revela essa indiferença fria ou disfarçada. Ela se espraia por toda a opinião pública, como hedionda herança comum de séculos de escravismo, enormemente agravada pela perpetuação da mesma postura ao longo de toda a república.

A triste verdade é que vivemos em estado de calamidade, indiferentes a ele porque a fome, o desemprego e a enfermidade não atingem os grupos privilegiados. O seqüestro de um rapaz rico mobiliza mais os meios de comunicação e o Parlamento do que o assassinato de mil crianças, o saqueio da Amazônia, ou o suicídio dos índios. E ninguém se escandaliza, nem sequer se comove com esses dramas.

A imprensa só protesta mornamente e o faz quando ecoa o que se divulga lá fora. Parece haver-se rompido o próprio nervo ético da nossa imprensa, que nos deu, no passado, tantos jornalistas cheios de indignação em campanhas imemoráveis de denúncia de toda sorte de iniqüidade. Hoje, quem determina o que se divulga, e com que calor se divulga qualquer coisa, não são os jornalistas, é o caixa, é a gerência dos órgãos de comunicação. E esta só está atenta as razões do lucro.

O que foi feito para pôr cobro a essa situação de calamidade? Na realidade dos fatos, nada foi feito. As vozes e o poderio dos que defendem os interesses do privatismo e as razões do lucro sobrepujam o clamor pelo atendimento das necessidades mais elementares do povo brasileiro. Nada é mais espantoso em nossos dias do que o fato de que quase ninguém se rebele contra o horror da paisagem humana do Brasil. Estamos matando, martirizando, sangrando, degradando, destruindo nosso povo! O conjunto das instituições públicas e das empresas privadas dessa nossa ingrata Pátria brasileira cios anos 90, o que faz, efetiva e eficazmente, é gastar o único bem que resultou de nossos séculos desta triste história: o povo brasileiro.

Somos, hoje, uma parcela ponderável da humanidade. Somamos mais de cento e sessenta milhões de brasileiros. Seríamos uma latinidade nova e louçã se alcançássemos coisas tão elementares como todo brasileiro comer todo dia, toda pessoa ter acesso a um emprego e toda criança progredir na escola. Mas não há nada disso. Nem há qualquer perspectiva de que isso se alcance em tempos previsíveis, pelos caminhos que vimos trilhando.

O lamentável é que temos tudo de que se necessita para que floresça no Brasil uma civilização bela e solidária. Herdamos uma das províncias maiores, mais belas e ricas do planeta. Somos um povo movido por uma incansável vontade de viver e de trabalhar, ativado pelo desejo mais intenso de felicidade, animado por uma alegria inverossímil para quem enfrenta tanta miséria. Contamos, ainda, com um corpo de empresários e de técnicos motivados e qualificados para a empresa de auto-superação que o Brasil tem que realizar.

Seremos impotentes para realizar as potencialidades de nossa terra e de nosso povo? É mesmo inevitável que continuemos enriquecendo os ricos e empobrecendo os pobres? Existe, por aí, algum projeto nacional alternativo, já formulado, que nos dê garantia de redenção?

Reiterar na rota política e no modelo de ação econômica que praticamos só nos dá segurança de perpetuação do atraso e até mesmo de genocídio, ou seja, de matança intencional do povo brasileiro, que é o que está em curso.

A ordem econômica vigente nada mais terna dar ao Brasil, senão miséria e mais miséria. O modelo de capitalismo que se viabilizou entre nós - aliás muito lucrativo - é impotente para criar uma prosperidade generalizável a todos os brasileiros.

Genocídio - estamos matando nosso povo

A situação Brasil é tão grave que só se pode caracterizar a política econômica vigente como genocida. Estão matando nosso povo. Estão minando, carunchando a vida de milhões de brasileiros. Desnutrida, desfibrada , nossa gente acabará se tornando mentalmente deficiente para compreender seu próprio drama e fisicamente incapacitada para o trabalho no esforço de superação do atraso.

Vivemos um processo genocida. O digo com dor, mas com o senso de responsabilidade de um brasileiro sensível, ao drama de nosso povo. O digo, também, como antropólogo habituado a examinar os dramas humanos.

Vivemos, com efeito, um processo genocida que faz vítimas preferenciais entre as crianças, os velhos e as mulheres; entre os negros, os índios e os caboclos.

Quantas crianças brasileiras morrem anualmente de fome, de inanição ou vitimadas por enfermidades baratas, facilmente curáveis? Estatísticas estrangeiras, cautelosas, falam de meio milhão. Estatísticas nacionais, menos cautas, contam mais ele oitocentas mil. Quantas serão essas crianças que poderiam viver, e morreram? Cada uma delas nasceu de uma mulher, foi amada, acariciada numa família, deu lugar a sonhos e planos, nos dias, nas horas, nas semanas, nos meses, nos breves anos de sua vida parca. Seguindo a tradição, muita mãe chorou resignada, achando que melhor fora que Deus levasse sua cria do que a deixar aqui nesse vale de lágrimas.

Sobre este drama tão brasileiro, se alça outro ainda maior. Impensável há uns poucos anos. Indizível. Refiro-me ao assassinato de crianças por aparatos parapoliciais. Uma vez, quando chegava do exílio, vendo a miséria que se estendeu sobre o País, multiplicando trombadinhas, previ, horrorizado, que acabaríamos por ter uma guerra das Forças Armadas contra os pivetes.

Essa guerra atroz está em curso. Não é ainda uma operação militar das Forças Armadas. Mas é já uma guerra cruenta contra a infância e a juventude pobres, travada por organizações paramilitares clandestinas. Consentidas pelo Governo. Ignoradas pela Justiça. Apoiadas por pequenos empresários assustados e por pessoas que se sentem inseguras, essas organizações crescem, aliciando combatentes, vale dizer, criminosos, para a triste tarefa de estancar a vida de milhares de crianças e jovens vistos como perigosos.

Quantos jovens estamos matando a tiros cada ano? Ignoramos! Os números internacionalmente difundidos e que nossa imprensa repete falam de um pouco mais de quinhentos nas principais cidades. Mas todos sabemos que seu número é muitíssimo maior.

Outras vítimas desse genocídio são as mulheres brasileiras, mortas em abortos malconduzidos. Também não sabemos contar os números espantosos dessas brasileiras, morrendo ou se inutilizando no esforço de não ter mais filhos. Quem assume a culpa de suas mortes e do sofrimento de tantíssimas delas que, malcuidadas, levam, vida afora, suas genitálias rotas e estropiadas? Não há aqui um feio crime de conivência de quantos condenam o aborto à clandestinidade?

Pior ainda que esse genocídio, mil vezes pior para o destino de nosso povo, é o caso daquelas mulheres, milhões delas, induzidas a esterilizar-se em programas sinistros de contenção da natalidade. Está em curso, em nossa Pátria, todo um enorme e ricamente financiado programa internacional clandestino de controle familiar pela esterilização das mulheres pobres, sobretudo das pretas e mestiças. Seu êxito é tamanho que se avalia já, oficialmente, com números do IBGE, em 44% as mulheres brasileiras em idade fecunda já esterilizadas. Castradas.

Esse número espantoso faz temer que já não sejamos capazes nem mesmo de repor a população que temos. Acaso a população brasileira excede aos recursos de nosso território? Não! Decisivamente não. Nosso território fértil é maior que o dos Estados Unidos e a população deles é o dobro da nossa. Temos, portanto, ainda possibilidade de aumentar a nossa participação no gênero humano. O que excede no Brasil é a população marginalizada e excluída pela força de trabalho pelo desemprego generalizado, provocado pelo sistema econômico vigente, fundado na precedência do lucro sobre a necessidade.

Mas há quem saiba muito bem quantos brasileiros, a seu juízo, devem existir no ano 2050. Não só sabe, como atua para que esse medonho número desejável deles se cumpra sobre nós. Organizações estrangeiras e internacionais, atuando criminosamente em nosso País, já esterilizaram mais de sete milhões de brasileiras.

Fazem-no através de médicos subornados que induzem suas clientes a permitir que lhes seccionem as trompas no curso de partos, realizados através de cesarianas. O Brasil, para escândalo mundial e vergonha nossa, é o País em que mais se realizam esses partos cirúrgicos. É, também, aquele em que mais vezes se utiliza desse procedimento para esterilizar mulheres.

São nacionais os tristes dinheiros desse suborno? Quem aprovou, neste País, tal política demográfica? Que instituição suficientemente autorizada e responsável decidiu quantos brasileiros existirão no futuro? Alguém, clandestinamente, decidiu e esta aliciando os capadores de mulheres Brasil adentro.

Quem ponderou sobre os convenientes ou os inconvenientes de deixarmos de ser uma população majoritariamente juvenil, para sermos uma população majoritariamente senil? O que se está fazendo ao esterilizar tão grande parcela de nossa população feminina é forçar a optação por uma maioria de idosos.

Nosso povo preservará, depois dessa drástica cirurgia,
a vitalidade indispensável para sair do atraso ou estará
condenado a afundar cada vez mais no subdesenvolvimento?
Quem está interessado em que o Brasil seja capado e esterilizado?
Serão brasileiros?



* Capítulo do livro de Darcy Ribeiro, O Brasil como Problema, editado em 1995, no Rio de Janeiro.


Darcy Ribeiro

A Educação e a Política

A rica direita brasileira, desde sempre no poder, sempre soube dar, aqui ou lá fora, a melhor educação a seus filhos. Aos pobres dava a caridade educativa mais barata que pudesse, indiferente à sua qualidade (...)

A primeira Lei de Diretrizes e Bases, que fui obrigado a pôr em prática como Ministro da Educação que era então, 1961, cumpriu o triste papel de piorar a educação brasileira. Isso ocorreu em razão da vitória da direita, encarnada por Carlos Lacerda e Dom Helder Câmara, contra a esquerda liderada por Anísio Teixeira. Com efeito, a nova Lei, em nome da democratização, liquidou com o sistema de formação do magistério primário com que contavam todos os estados brasileiros na forma de institutos públicos capazes de dar formação teórica e prática a seu magistério. A nova lei abriu a quem quisesse a liberdade de criar escolas normais, quase sempre com propósito puramente mercantil, convertendo-as em meros negócios. O êxito numérico foi grande, as escolas multiplicaram-se aos milhares, mas o efeito educacional foi o mais grave, porque elas degradaram o ensino normal ao mais baixo nível. Hoje, nosso professorado é formado numa das disciplinas falsamente profissionalizadoras, ministradas no nível médio, quase sempre em cursos noturnos, de onde sai praticamente analfabeto e incapaz de ensinar.
A mesma lei, e a legislação educacional que se seguiu, orientou-se por critério idêntico e teve igual efeito no nível superior. Em lugar de forçar a ampliação das matrículas nas Faculdades Públicas que contavam com bons professores, laboratórios e bibliotecas, concedeu liberdade total para converter o ensino superior em negócio. Assim é que as matrículas saltaram de menos de 100 mil a mais de 1.500 mil, mas concentrou 70% delas em escolas privadas, a maioria das quais incapazes de ministrar qualquer ensino eficaz. Em conseqüência, precisamente o alunado mais pobre e mais necessitado de ajuda paga caro por cursos ruins, degradando-se cada vez mais a qualidade dos corpos profissionais com que conta o país. Nunca coisa tão grave ocorreu em qualquer país do mundo. Mas esta foi a solução que a direita toda-poderosa, sobretudo quando estruturada como ditadura militar, impôs ao Brasil.
Assim, chegamos à situação calamitosa de uma Educação Primária que produz mais analfabetos que alfabetizados; de uma Escola Média que não prepara ninguém para prosseguir os estudos na universidade, nem para o trabalho especializado; e de uma Escola Superior igualmente ruim em que, na maior parte dos casos, o professor faz de conta que ensina e o aluno faz de conta que aprende.

Nenhum desses problemas terá solução se continuarmos trotando pelos mesmos caminhos direitistas, indiferentes à educação popular e ao progresso do país. É indispensável para o Brasil, como o foi para todos os povos que deram certo realizando suas potencialidades, empreender um grande esforço nacional no sentido de alcançar algumas metas mínimas no campo da educação popular.

Primeiro
Criar escolas de dia completo para alunos e professores, sobretudo nas áreas metropolitanas, onde se concentra a maior massa de crianças condenadas à marginalidade porque sua escola efetiva é o lixo e o crime. O que chamamos de menor abandonado e delinqüente é tão-somente uma criança desescolarizada, ou que só conta com uma escola de turnos.


Segundo
Instituir progressivamente Escolas Normais Superiores e Institutos Superiores de Educação que formem um novo professorado devidamente qualificado pelo estudo e treinamento em serviço para o exercício eficaz do magistério.


Terceiro
Dar ao novo professorado primário e médio, devidamente preparados, condições aceitáveis de trabalho em tempo completo, com salário dobrado e mais um suplemento de 20%.


Quarto
Ampliar o acesso ao Cursos Técnicos para que neles tenha ingresso qualquer pessoa que possa cursá-los com proveito, sem quaisquer exigências acadêmicas.


Quinto
Instituir nas universidades cursos que formem a base de estudos pedagógicos, e sobretudo da prática educativa, tanto Professores de Turma para ensinar de primeira a quinta série primária, como Professores de Matéria para as séries seguintes. Necessitaremos, pelo menos, de um milhão de novos professores na próxima década para repor os aposentados e para ampliar o sistema, e se eles forem formados como agora, a educação brasileira continuará fracassando.


Sexto
Criar universidades especializadas em Ciências da Saúde, nas Tecnologias ou nas Ciências Agrárias e em outros ramos do saber, dotando-as de recursos para pesquisar e procurar solução para os problemas brasileiros.


Sétimo
Passar a contratar nas faculdades públicas professores por matéria e não por disciplina, com obrigação de ministrar o mínimo de 10 horas de ação docente semanal junto aos alunos e de ensinar diversas disciplinas.


Oitavo
Desobrigar o professor de nível superior a simular a realização de pesquisas para ter o salário aumentado (20 a 40 horas nominais) e apoiar, substancialmente, a pesquisa autêntica, seja científica, seja tecnológica. Simultaneamente se deve valorizar e remunerar o Magistério em si, independentemente de qualquer programa de pesquisas, como atividade indispensável à Nação e altamente meritória.


Nono
Criar Cursos de Seqüência que dêem direito a Certificado de Estudos Superiores a quem cursar mais de cinco matérias correlacionadas. Só assim se poderá superar o sistema tubular de nossas universidades, preparadas para formar apenas algumas dezenas de profissões à base de um currículo mínimo prescrito, quando uma sociedade moderna necessita de mais de duas mil modalidades de formação superior para funcionar eficazmente na nova civilização.


Outras
Mutíssimas outras providências e inovações são indispensáveis para que os brasileiros ingressem definitivamente na civilização letrada, com capacidade de alcançar um desenvolvimento auto-sustentado. Para tanto é indispensável jugular a formação de novos analfabetos. Esse esforço poderia ter início pondo em marcha a Década da Educação, instituída pela Constituição Federal, fazendo os prefeitos recensear todas as crianças que vão completar sete anos de idade para entregá-las aos cuidados de boas professoras devidamente ajudadas pelo Estado e pela União;
recensear também os jovens que completam 14 e 16 anos, insuficientemente escolarizados, para inscrevê-los em cursos de Educação à Distância, ministrados através de textos escritos para estudar em casa e da ajuda de programas de televisão educativa, proporcionados pelo Ministério da Educação.

Somente a esquerda poderá enfrentar esse desafio. Para isso, entretanto, é indispensável que ela se arme da mais viva indignação contra o atraso e a fome desnecessárias a que é submetido o povo brasileiro, sobretudo a infância. É indispensável também que essa nova esquerda alcance a necessária lucidez para desmascarar e enfrentar a trama direitista de interesses setoriais, corporativos e privatistas, que condena nosso povo à fome e ao analfabetismo.

O substitutivo que ofereci ao Projeto de Lei de Diretrizes e Bases elaborado na Câmara dos Deputados, uma vez aprovado, criará condições para que se efetive essa mobilização nacional contra o atraso. Trata-se de um projeto síntese que aproveita as melhores contribuições dos anos de discussão no Congresso e das centenas de sugestões dadas por toda sorte de instituições nacionais para evitar que a nova Lei Geral da Educação venha a congelar o péssimo sistema educacional que temos e com ele condene nosso povo ao fracasso na história.

Quem não luta seriamente por essas reivindicações mínimas de uma educação popular democrática ajuda a direita a manter nosso povo condenado a viver à margem da civilização letrada, sofrendo as conseqüências do desemprego e de uma fome e ignorância crescentes.

Comprovam esse pendor das elites brasileiras a descurar da educação popular a destruição perversa da reforma educacional de Anísio Teixeira; experiência estudada até hoje como o melhor esforço que se fez no Brasil para criar a escola primária média e superior de que necessitamos.

O mesmo ocorreu mais feiamente, com a equipe a que Marcelo Alencar entregou a educação no Rio de Janeiro. Ela se ocupou devotadamente a reverter à rede comum de escolas de turno os 400 CIEPs que deixamos funcionando e que absorvia ¼ do alunado do Estado, ou seja, 340 mil crianças em cursos de dia completo que vinham alcançando enorme êxito. Comprovavam que efetivamente com escolas adequadas o alunado oriundo das camadas mais pobres, mesmo que tenha sofrido anos de subnutrição e violência, pode ser recuperado e completar os estudos de 1º grau.

Nós educadores precisamos estar atentos também para as nossas culpas. Sempre que um Governo elitista abocanha o poder encontra falsos educadores prontos a reimplantar a escola pública corrente que não alfabetiza nem educa as crianças pobres. Isto é feito por ignorância, por adulação aos poderosos do dia e, sobretudo, pelo pendor direitista da pedagogia vadia que se pratica entre nós. Ela sustenta que o sistema escolar de turnos é auto-corretivo e através de seu próprio funcionamento superará suas deficiências.

Não é verdade! Só uma escola nova, concebida com o compromisso de atender as condições objetivas em que se apresenta o alunado oriundo das classes menos favorecidas, educará o Brasil. Só uma escolarização de dia completo, com professores especialmente preparados e de rotina educativa competentemente planejada, acabará com o menor abandonado, que só existe no Brasil. Assim é porque só aqui se nega à infância pobre a escola que integrou na civilização letrada a infância de todas as nações civilizadas.

Darcy Ribeiro, setembro de 1995