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sábado, 6 de novembro de 2010

POLÍTICA E ÓDIO!!!

Termina-se mais uma Eleição, e como se sabe, assim como em um jogo só há um ganhador, com a diferença que no jogo da política em nosso país, na Democracia o Povo é quem elege quem irá vencer. E nada mais do que justo.
Governos entram, Governos saem...e sabe-se que o Brasil engatinha quando se fala em Democracia.
No entanto, reportagens que li e e-mails que recebi fiquei realmente chocada com a Intolerência do Povo Brasileiro, Racista e Preconceituoso.
Recebi um e-mail em que uma pessoal se mostrava totalmente revoltada com o Resultado das Eleições e dizendo que iria ter o prazer de Perseguir, Pesquisar e Enviar a todos os erros cometidos pela futura governante do nosso País.
Ao ler Manchetes em jornais e Internet notaou-se uma série de manifestações preconceituosas. O motivo: "culpavam" os nordestinos pela vitória de Dilma. As reações antirracistas foram ainda mais numerosas. Ignorantemente e Preconceituosamente usam termos pejorativos dizendo que ganhou em determinado Estado por os eleitores de determinada região ser mais “ignorantes e manipuláveis” que os habitantes de outras regiões do País.
Uma das manifestantes mais repudiantes e visitadas no Twitter e no Facebook foi a estudante de direito paulista Mayara Petruso.

Agora fico a pensar, o que se passa na cabeça de uma uma jovem, linda, estudante de direito ter reações, pensamentos, expressões como teve, apesar de se desculpar depois, é inacreditável termos em uma Democracia pessoas jovens Xenófobas...
Mas temos que continuar a nos perguntar: "o que leva um jovem a pensar dessa ou daquela maneira?" A agir assim e "não assim"...difícil é de se responder a tais questionamentos, mas o que se sabe é que um país só cresce quando seu povo é Educado, quando valoriza-se a Educação e isso é o que nosso País, infelismente faz de menos....
O procurador da República Alessander Sales afirmou que o Ministério Público pode acionar a Justiça para que essas manifestações sejam retiradas da Internet.
No entanto, a despeito das ofensas trocadas nas redes sociais, o Candidato Vencedor não teve maioria dos Votos apenas em uma região do país, mas, conseguiu a preferência também dos habitantes do Norte e do Sudeste.
Segundo estatísticas, mesmo que, se fossem subtraídos os votos do Norte e do Nordeste, a ganhadora continuaria com vantagem sobre seu adversário, o tucano José Serra, com 275 mil votos a mais do que ele.  
No país inteiro, Dilma alcançou mais de 55 milhões de votos, enquanto Serra teve quase 44 milhões. No Norte e no Nordeste, a vantagem da petista foi elástica: 18 milhões de votos, contra 7 milhões do tucano, no Nordeste, e 4 milhões contra 2,9 milhões, no Norte.
Portanto, vencer no Nordeste inteiro não foi mérito exclusivo de Dilma. Segundo a agência de notícias Política Real, desde a redemocratização, em 1989, todo presidente eleito no Brasil venceu na região. (colaborou Ítalo Coriolano).

Postarei alguns vídeos nesse Blog com intuíto de que nosso povo, nossos jovens, crianças e até idosos entendam mais o jogo do poder, entendam o que é , foi alguns Regimes Políticos, alguns que levaram a morte de milhões de pessoas devido a Intolerância, o Ódio, o Racismo, coisa que temos vergonha quando lembramos, no entanto, que foi pouco afinal nós Seres chamados Humanos nos esquecemos e cometemos muitas vezes os mesmos erros!
Abçs
Alessandra Lígia

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A Intolerância dos alunos na Sala de Aula...

Olá pessoal...depois de algum tempo, retorno ao meu espaço onde posso falar, desabafar...
Estou tendo a oportunidade este ano de 2010 de lecionar no 2.º e 3.º ano do Ensino Médio.
Escola esta situado na cidade de Franca - interior de SP, como sempre, salas cheias, em especial no 2.º ano, onde, têm-se em média 38 alunos por sala.

Bom essa sala tem um diferencial das outras salas que já Lecionei, nesta temos alunos, mais ou menos uns 5 que vieram de Escolas Particular, gente, pasmem-se...alguns desses alunos tratam com indiferença, arrogância e  menosprezo colegas de sala e professores.


Fico a me perguntar, o que leva um adolescente a agir desta ou de outra maneira. Será sua formação que tem dentro de casa? Será sua personalidade trazida por genêtica? Bom difícil de responder, em especial quando não se é especialista no assunto, como é o meu caso. Portanto, resumidamente, coisa do "Ser Humano"!

Mas nessa mesma sala temos pontos altos, interessantíssimos por sinal -  eu também estou tendo o privilégio de Lecionar para um aluno com Deficiência Visual Total, e uma outra com Deficiência Visual Parcial, tem sido uma experiência muito gratificante, ver, entender, como "nós" Seres Humanos somos dotados de tamanha capacidade: de aprender, de entender e repassar o que aprendemos, isso é claro, quando queremos, afinal, somos capazes da mesma forma de sentir repulsa, indiferença, ingratidão. 

Mas a questão aqui é outra, afinal, nós, doscente e discente, entramos e ficamos na sala de aula (praticamente com quatro recursos: a) voz; b) boa vontade; c) giz e c) lousa e alunos com : a) boa vontade b) atenção em recursos precários em meio a tanta tecnologiada e claro...os materiais fornecidos pelo Estado (caderno do aluno com conteúdos fragmentados), além de caneta, borracha e caderno com linhas para fazer anotações.)

O que quero dizer é que estou Lecionando a tais alunos (38) dentre eles dois "especiais" simplesmente com o "gogo"...isso mesmo gente...e o aluno...esse Deficiente Visual Total, para minha sorte senta lá na frente, onde eu leio e releio para ele e os demais alunos, o enunciado e sempre pergunto: "estão entendedo?" "conseguiram visualizar?" e sempre para a minha surpresa ouço em especial do aluno que senta lá na frente: sim professora estou entendendo. Torno a perguntá-los, quantos segmentos de reta podemos traçar ligando-os 2 a 2, se tivermos 6 pontos, nunca alinhados 3 a 3 em linhas retas? O que em instante tenho como resposta do aluno que senta la na frente : poderemos traçar 15 segmentos de retas professora"

Enfim minha gente, aqui nesse espaço não é de minha pretensão descrever tudo o que temos na escola Pública, mas como podem ver tem-se coisas boas, agradáveis e coisas nem tão agradáveis, alunos que mesmo com dificuldades estão ali com o intuito e vontade de aprender e alunos que como dito por eles mesmos "se acham", que esnobam, intolerantes.

Mas o que importata no fim é saber que mesmo não tendo a atenção, o respeito e o carinho da maioria, conseguiremos lançar nossa semente e fazer mesmo que "umazinha" cresça, floresça e dê frutos. 

Alessandra Lígia R. A. Tedesco

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Digamos não a todo e qualquer tipo de agressão às nossas crianças.

Carta aberta aos senhores congressistas do senado e da câmara dos deputados .

Senhores Deputados e Senadores.

Digamos não a todo e qualquer tipo de agressão às nossas crianças.

Digamos não a toda e qualquer interferência do estado em nossas famílias, em nossas casas e em nossas maneiras de ser e agir.

Se querem os congressistas acabar com a agressão a nossas crianças, uma coisa é certa, não será com leis que o farão.

Se pudéssemos acreditar que a lei pode melhorar reação e interferir nos sentimentos humanos, com certeza já teríamos uma lei proibindo a irritação, a dor, o stress.

Tenho a receita para colocar fim ao mal da agressividade.

Escola para Pais. Sim, é isto mesmo, vamos criar cursos para orientar todos os futuros pais e mães, oferecer cursos para os avôs e avós.

Ninguém sem orientação poderá cuidar bem das crianças .

Vivemos em um novo mundo, onde tudo muda a todo instante, por essa razão já não temos mais condição de agir como nossos pais agiram. Assim se faz necessário a ininterrupta troca de informações e orientações.

Só a orientação, o estudo e a convivência em grupo poderão, de fato, mudar o comportamento humano.

Querem os congressistas acabar com o alcoolismo e as drogas?

Escola é a solução. Vamos propor cursos que orientem sobre saúde e dependência química, dentro de nossas escolas.

Querem os congressistas melhorar a saúde pública?

Escola é a solução. Ofereçam cursos sobre as doenças, epidemias, higiene e alimentação, para todos. Assim os postos de atendimento médico ficarão vazios.

Querem os congressistas acabar com os desmatamentos e poluição do meio ambiente?

Escola é a solução.

Ofereçam cursos técnicos e superiores de agronomia e meio ambiente para todos.

Querem os congressistas diminuir a criminalidade em nosso país?

A solução é, escola de qualidade para todos os cidadãos.

Nossos jovens querem estudar, mas ainda enfrentam uma disputa de até 50 candidatos competindo por uma vaga, para poderem fazer um curso superior. Sempre os mais pobres ficam de fora.

Trabalhar para que todos tenham acesso a todos os níveis do conhecimento, é a verdadeira e maior missão do Estado.

Querem os congressistas oferecer boas escolas?

Simples. Multipliquem os salários dos professores. Permitam que eles e elas tenham uma vida digna. Que todos os nossos professores possam ter acesso à cultura, ao lazer e à saúde, sem que precisem vender produtos Avon ou Lingerie, para complementar suas rendas.

Querem os nossos congressistas um povo feliz?

Fácil. Façam felizes os nossos professores, respeitando-os, oferecendo bons ambientes de trabalho, onde possam ter salas para estudos e leituras, plano de carreira e carga horária de trabalho compatível com a mais importante de todas as profissões. O professor é quem orienta para a conquista dos conhecimentos que de fato melhoram a vida dos homens, é quem educa para a convivência harmoniosa em grupo e faz dos homens, seres cada dia mais humanos.

Que nenhum professor precise dar mais que 30 horas aulas semanais para viver com dignidade.

Que nenhum professor precise “fazer bicos” para manter com dignidade sua familia.

Que nenhum professor deixe de lecionar por falta de pagamentos dignos.

Que nenhum professor se esgote por excesso de trabalho.

Que nenhum professor seja tratado como frieza e desrespeito.

Está ai a solução que queremos, precisamos e temos condições de ter.

Basta que tenhamos homens sensatos, honestos , de boa vontade E QUE DE FATO TENHAM EM SEUS PLANOS A EDUCAÇÃO COMO PRIORIDADE MAIOR .



CONTO COM SUA AJUDA NA TRANSMISSÃO DESSE TEXTO QUE, BEM DIVULGADO PODE TRAZER FRUTOS PARA A NOSSA SOCIEDADE NO FUTURO.


MAURO DEODATO TAVEIRA – 58 anos

Pedagogo, Professor e Engenheiro

deodato@deodato.com.br

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A Violência na escola e a sociedade!!!


A cada dia que passa vive-se uma sociedade mais agressiva, mais depressiva, mais dependente, mais rancorosa e sem base para ajudar, entender, ensinar o seu semelhante.
Hoje fiquei horrorisada ao escutar no noticiário televisívo, por um acaso, a notícia de que três professoras foram denunciadas por funcionários da pré escola por maus tratos a crianças menores de 1 ano de idade. Isso mesmo gente, CRIANÇAS, MENORES DE 1 ANO DE IDADE, AGREDIDAS POR PROFESSORAS, rs, é um absurdo!!!
Tais ações talvez seja reflexo de uma sociedade desrespeitada a todo instante a começar por nossos políticos, que em lugar algum de nosso país cumpre qualquer que seja suas políticas tão prometidas em épocas de eleições.
É claro que categoria alguma de profissional deve ser desrespeitada em seu trabalho, muito menos um professor, no entanto é dever desse profissional entender a realidade dessas crianças, em muitas das vezes desprovidadas de afeto, carinho e atenção dos pais e garantir que essas mesmas crianças mesmo nas chamadas creches iniciem o processo de construção do conhecimento.
Agora, que base tais crianças terão se são violentadas físicamente, verbalmente e moralmente dentro da própria escola, e pior ainda, por suas chamadas professoras???
Em uma sociedade violenta, promíscua e sem limites, a escola deve se contrapor à cultura de agressões. Penso que devia-se exercer e ensinar desde à tenra idade o que é cidadania e o que é democracia, afinal, os colegiados de escola, as APMs, só existem nas escolas, "pró forma", em especial nas públicas, afinal, raramente, vemos diretores de escola mostrando relatórios das verbas recebidas e gastas, ao contrário o que vemos muitas vezes são alguns coordenadores de escolas, pedindo dinheiro a alunos e pais de alunos, é claro que, parte de tais verbas pedidas são "justificadas", rs, afinal, o Governo do Estado não manda, ou se manda é desviada, verba nem para fotocópias de trabalhos que são exigidos dos professores para com os alunos.
Questões ligadas a violência escolar deveriam ser melhor discutidos em conselhos de classe, elaborandos projetos educativos, mas é claro, em salas de aula com menor número de aluno, afinal, é IMPOSSÍVEL ENSINAR BEM, em um espaço 4x6 com 46 pessoas, mas essa é nossa ralidade Brasileira!!!

Abaixo o ícone de um vídeo chocante!!!

http://www.youtube.com/watch?v=Vb6L9wIUNSQ

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Os prejuízos da exclusão


Em entrevista à revista Educação, o psicanalista Contardo Calligaris defende a inclusão de portadores de deficiência em salas de aula tradicionais. Vanessa Sayuri Nakasato
Para o psicanalista Contardo Calligaris, 57, inclusão social nada tem a ver com caridade. Pelo contrário, ele acredita que o mundo desperdiça talentos e se priva do convívio com pessoas que tem muito a oferecer, quando segrega os portadores de deficiências físicas e mentais dos demais cidadãos. No caso das escolas, Calligaris duvida da eficiência das "classes especiais" e prega a integração dos alunos. Convivendo com os portadores de deficiência, as crianças aprenderiam a lidar melhor com a diferença e se tornariam mais tolerantes. Para o excepcional, por outro lado, o fato de se sentir fazendo parte de um ambiente social, e não ser mais definido apenas por sua deficiência, permitiria que sua vida desabroche, de modo produtivo.

Eder Chiodetto
Calligaris defende a inclusão de portadores de deficiência em salas tradicionaisAutor de livros como Hello Brasil! (Escuta, 160 págs., R$ 36) e Crônicas do Individualismo Cotidiano (Ática, 264 págs., R$ 27), Terra de Ninguém (Publi Folha, 423 págs. R$ 49) e colunista do jornal Folha de S.Paulo, Contardo Calligaris fala à Educação sobre a relação dos portadores de deficiências físicas e mentais com os pais, a escola e a sociedade. E conclui que excluir o outro é privar-se de todos os benefícios que a sua companhia pode proporcionar, começando pelo aprendizado. Revista Educação - Por que a inclusão de deficientes é relevante para uma escola e para a sociedade?Contardo Calligaris - Independentemente do fato de que seria excelente se os professores tivessem a capacidade de ver no excepcional não alguém a quem falta alguma coisa, mas alguém que possui potencialidades específicas. Seria um extraordinário aprendizado pedagógico. Isso serviria, também, para lidar com aquela criança que é desatenta, que não estuda, ou que parece que nunca entende coisa alguma. Como seria essa mudança, particularmente, para as crianças? Elas vão aprender a lidar melhor com a diferença. Para o excepcional, o fato de se sentir fazendo parte de um ambiente social e não ser mais definido pela sua deficiência vai, provavelmente, permitir que sua vida deslanche. Detalhe: em geral as crianças são especialmente preconceituosas. Pegam no pé do gorducho, da magrela, do baixinho. Brasil é o império dos diminutivos agressivos e dos apelidos ferozes. Na pré-adolescência isso é muito comum e ser aceito é crucial. Um grupo se constitui pela exclusão. Isso é regra geral, não tem milagre. Se você quer ser um dos membros do grupo dos bacanas, o primeiro passo é chamar os que não fazem parte desse grupo de babaca. Esse tipo de atitude deveria ser reprimido no quadro escolar. Eu ainda acredito nas punições. Que tipo de punição?Castigo, suspensão, reunião com os pais. Para mim, simplesmente chamar alguém de gordinho é um problema seríssimo. Com isso você fere a dignidade do outro e não reconhece a sua igualdade, direitos e princípios. Por causa de uma diferença que é irrelevante do ponto de vista da convivência do cidadão. Isso é uma falha da educação?Sim. Acredito que poderíamos ser mais repreensivos em relação a esse tipo de discriminação interna. É um erro pensarmos que uma palavra não pode produzir muito efeito, só porque é uma piada, uma brincadeirinha? Pode, ao contrário, fazer grandes estragos na vida de alguém. E no caso do portador de deficiência?Ao contrário do que as pessoas podem pensar, ele não é burro. Sabe muito bem quem é aquela pessoa que o trata normalmente porque reconhece nele um sujeito, e aquela que só está falando com ele porque acha que está conseguindo indulgência para o purgatório futuro. Qual a melhor classe para ele? A "normal" ou a especial?Para muitas pessoas em todo o mundo, a educação de portadores de deficiência deve ser desenvolvida em classes "normais". Exceto em casos que demandam uma atenção muito específica e que impeça a relação da criança com o curso de estudo normal. Mas não concordo que deva haver separação. O benefício da inclusão é muito grande para todo mundo. Há um custo de esforços, de preparação, tanto por parte da escola como da criança excepcional.O que levou a inclusão de portadores de deficiências físicas a ser uma questão mais discutida?Gostaria de pensar que a consciência cívica das pessoas melhorou. E que existe uma evolução positiva, não só dentro das escolas, mas em todo o país. Hoje já existem cinemas com rampas de acesso para cadeiras de rodas e lugares reservados para os portadores de deficiências físicas. Em alguns locais começam a existir calçadas que descem para que seja possível circular com cadeiras de rodas. Embora isso ocorra de maneira limitada, bem longe de ser o ideal, já é um início. É o que podemos chamar de progresso social. Eu não sei se essa evolução é forte o bastante, mas certamente o Brasil é um país em que a visibilidade pública das pessoas portadoras de deficiências continua sendo muito pequena. Diferente do que se verifica em outros países, essas pessoas ficam fechadas em casa.De quem é a culpa por essa situação?Primeiramente destaca-se a falta de meios concretos de inclusão, como os que se referem à praticidade de circulação. Em segundo lugar, no país ainda se percebe o estigma de vergonha social, que é muito marcante. Ou seja, se você tem um filho com algum tipo de deficiência mental ou física, passear com ele pelas ruas é um passo psíquico muito especial. É provável que as pessoas vão olhar com aquela cara de "ah... coitado, ele é deficiente". Então é preciso que você reconheça esse filho não o definindo por sua deficiência, mas sim pelas potencialidades concretas de sua vida. A falta de preparo dos pais os leva a deixar seus filhos em casa? Preparar os pais não é só um trabalho societário. Precisa-se de profissionais capacitados para isso. A verdade é que cuidar de um filho portador de necessidades especiais é muito difícil, e poucos pais conseguem encarar um evento desse tipo.Então a história de que o amor nos faz capazes de suportar tudo não é verdadeira? O amor nos permite suportar muito, e às vezes até demais. Mas o amor não é uma resposta mágica nessa história. É possível amar perdidamente um filho portador de deficiência, a ponto de não deixar que ele seja nada mais do que um deficiente. Dependendo do modo como se manifesta, o amor dos pais pode ser extremamente perigoso para uma criança que apresente uma deficiência física ou mental. Porque a deficiência física e, principalmente, a mental, coloca a criança num estado de eterna dependência. Nesse sentido, de alguma forma, ela pode satisfazer o amor, sobretudo o materno, porque essa criança será um bebê para sempre. Mas não existe o medo de um dia não poder continuar cuidando do filho?Sem dúvida. Por isso mesmo, a grande questão é conseguir amar o não filho por sua deficiência, mas pelo o que ele é de fato. A mãe dificilmente consegue redefinir o filho. A resposta mais fácil, mais espontânea e imediata é que ela coloque o filho como a razão de sua vida. Ela vai se sentir o suplemento de tudo o que a criança não pode fazer. Vai se tornar ela mesma o braço mecânico de seu filho paralítico, os olhos de seu menino cego e, assim, manter-se sempre necessária.E como se coloca essa questão do ponto de vista social?A própria história da inclusão é um pouco essa. A inclusão caritativa não interessa a ninguém. No quadro escolar, não interessa às crianças que conviveriam com os portadores de deficiência, nem a eles próprios. Eu não gosto da palavra "deficiente", que ainda é a expressão mais usada para designar essas pessoas. Não gosto porque, justamente, é uma palavra que, em latim, implica na idéia de uma coisa que falta e, assim, define as crianças pelo que lhes falta. Eu prefiro o termo "excepcional", porque é um adjetivo que marca uma diferença, uma exceção, um ser diferente em relação aos outros. Por si só, a palavra "deficiente" já envolve uma postura excludente. Ela define a pessoa pelo que ela não pode fazer, pelo que ela não alcança. Isto é, se a idéia da dita inclusão escolar ou social for caritativa, não será interessante. Por exemplo, "ela vai ser acolhida na classe, mas não poderá fazer isso ou aquilo". Só haverá interesse quando esse cidadão for incluído positivamente. Não como "o deficiente da terceira fila", mas como o Paulo, o Pedro.O senhor diz que tanto os pais, como a sociedade precisa redefinir. O que seria essa redefinição?No que concerne aos pais, isso se obtém com a ajuda de um profissional. Acho importante, porque quando temos um filho que necessita de cuidados especiais, durante um certo tempo, no começo, isso nos auxilia a definir a situação, a mudar o olhar. O primeiro olhar é sempre o olhar de "como é que eu vou ser o suplemento do que está faltando a essa criança que eu coloquei no mundo?". E no que concerne à sociedade, é preciso um grande trabalho, que os psicólogos escolares talvez não façam, mas poderiam fazer. O trabalho com os professores deve ver primeiro. Porque não é verdade que, pelo simples fato de você ser um excelente professor, esteja preparando para lidar com isso de uma maneira inteligente, capaz de incluir sujeitos diferentes. Como melhorar a educação para excepcionais?O ideal seria a inclusão efetiva, mas precisaríamos de classes que possuíssem os equipamentos necessários. Por exemplo, computadores com lupa e livros didáticos diferentes. O mundo desperdiça muitas potencialidades, até gênios, por puro preconceito e falta de investimento. O Brasil é um país que, como o senhor já disse, oferece pouca infra-estrutura para seus portadores de deficiência. No que isso implica?A falta de estrutura física é a manifestação simbólica, porém concreta de falta de cuidado para comigo. Andar pela cidade e não conseguir descer uma calçada sem ajuda remete à lembrança de que a comunidade onde vivo não se importa com o meu bem-estar. Sublinha o fato de que eu não sou uma prioridade para a cidade ou o país que eu vivo. E dentro de uma escola isso é ainda pior. A infra-estrutura não é apenas o conjunto daquelas coisas materiais, necessárias para o outro se movimentar. É a manifestação concreta da decisão de incluir. Ela tem, portanto, uma grande importância psíquica. O senhor sempre diz que aquele que exclui está se excluindo.Quando você exclui o outro, qualquer que seja a razão, você também se exclui da companhia do outro, se exclui de aprender mais, de vivenciar. Excluir é perder. Sempre.


http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=10418